E quem disse que as coisas são fáceis?
Todo mundo ou quer dizer que tudo é mais fácil ou tudo é mais difícil.
As coisas não podem ser só simples?
Respirar - simples
Olhar - simples
Escutar - simples
Provar - simples
Tentar - simples
Rir - simples
Voar - simples
Falar - simples
Viver - simples
Muita gente vive a colocar na nossa cabeça que todos estão contra nós e que todos querem sacanear e que é sempre isso ou aquilo e cheio de porquês estranhos, ou, na maioria das vezes negativos.
Estou a ser chata em martelar num assunto desses? Pode me falar se for o caso. É que eu sinto sempre como se a cada olhar "branco"¹ viessem milhares de vultos "negros"² para tomar em escuridão e negatividade. Não gosto disso.
No grupo que faz a peça, o qual eu participo, tomou-se uma discussão interessante sobre essa diferença da criança para o adulto. E logo vieram falar "a criança é cruel, toda criança tem uma crueldade nela". Por que? Eu acho que pelo contrário, a criança não é cruel, ela seria cruel se escondesse as coisas, se ela fingisse algo pra depois fazer outra coisa. A criança pra mim é inocente, é pura, é viva. Aos pouquinhos, enquanto a gente cresce, nós perdemos essa vida, vamos a morrer, pouquinho por pouquinho, gota por gota, ano por ano, cada vez mais manchado de malícia e medo.
As vezes eu páro e me pergunto se o problema sou eu. Tive uma fase que odiava pessoas, qualquer tipo, gostava só dos bichos e da natureza, outra que gostava muito das pessoas e observá-las e outra que só gostava de bichos, natureza e crianças. Mas aprendi a admirar cada um em sua particularidade. Comecei a buscar pessoas que não perderam totalmente o encanto e ao mesmo tempo ganharam outro encanto de vida. Entre essas pessoas encontrei pérolas raras, verdadeiras jóias de valor inestimável.
Hoje as pessoas me acham maluca e confusa demais. Melhor assim, pois eu não quero mais que entendam tudo que falo, ninguém vai conseguir, nem eu mesma. Nâo nego as coisas que dizem e as recebo como elogio e forma de crescimento. No mais eu ignoro, passo a diante. Obrigada, mas não me cabe.
Muitos talvez se irritem com meu jeito, com uma certa tranquilidade e vontade de ver o outro crescer junto ao invés de derrubá-lo. Mas o importante é que eu goste disso e acredite nisso. Eu acreditando, o resto não importa tanto.
A coisa mais difícil nisso tudo, nessa nova vida, eu acreditei que seria o perdão, engolir o orgulho e pedir desculpas pras pessoas. Ledo engano. A partir do momento que entendi que eu sou tão humana e poderia cometer o mesmo erro e que a pessoa pode ter tido os motivos dela, aprendi a valorizar o cuidado de não julgar e fechar os olhos pro resto.
Se alguém quiser dizer que "falar é fácil, quero ver fazer", "monte de baboseira", "boa samaritana", "deixa de ser idiota garota", "eu não acredito em nada do que você diz". Agradeço e te respondo... A VIDA É DA FORMA COMO VOCÊ OLHA PRA ELA! Tive que levar muita porrada pra pensar em algumas coisas e mudar minhas atitudes, mas tive coragem pra tentar, se estou certa, se estou errada, não sei..."(...)mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo. Já não me preocupo se eu não sei porque as vezes o que eu vejo quase ninguém vê. Eu sei que você sabe quase sem querer, eu vejo o mesmo que você(...)".
Beijos,
Maya
segunda-feira, 20 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
hemisférios
amor ! o que é isso ?que toma conta dos nossos sentimentos,dos nossos momentos felizes .é minha cara,amor é simplesmente isso que você ouve na maioria das musicas,dos poemas e até mesmo do que você escreve . quando tá bem,quando ta mal . é disso que a gente vive,que faz a gente suspirar,que a gente gosta de sentir e de gostar de alguém mesmo se não for reciproco,porque só a sensação de gostar de uma pessoa,deitar na cama e se imaginar com ela,faz você se sentir a pessoa mais leve do mundo .é...a gente pode cair,ficar extremamente mal,extremamente feliz . mas não tem o menor problema,pois amar,gostar,beijar é o que vivemos mais intensamente !aproveite aproveite aproveite,escute e agradeça .não seja superficial com seus amores, use as mesmas frases para encantá-los,mas vejo algo diferente em cada um .
AME
AME
terça-feira, 7 de abril de 2009
A Escuta
Hoje o dia foi estranho. Não sei o que acontece comigo, se eu estou amadurecendo ou se estou cada vez mais infantil, mas estou por descobrir coisas novas e que tem mudado meus conceitos e filosofias diante a vida.
Acredito que uma das maiores questões, hoje pelo menos, podemos denominar ESCUTA. Coisa tão trabalhosa de se acontecer, não acham? Todos querem ser ouvidos, mas quem quer escutar?
Essa questão me assalta e não é de hoje. Pelo contrário, já faz tempo que me questiono quanto a isso. Mas deixa-me explicar o que houve e porque isso voltou tão forte agora, exatamente hoje.
Fui a faculdade hoje e estava numa tentativa de ajudar uma amiga com a prova de história do teatro I, fiquei divagando sobre teatro grego, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e afins, normal. Depois fomos pro ensaio e lá a primeira coisa, um amigo começou a falar que vamos receber críticas (isso mesmo, futuro) e que muitas serão de sacanagem e não serão construtivas etc, eu retruquei de volta que TODA CRÍTICA É CONSTRUTIVA, SÓ DEPENDE DE COMO VOCÊ VAI RECEBÊ-LA. Acho que ele não gostou de ouvir isso, pois começou a falar que ele já viveu isso de espetáculo e eu não, então quando eu sofrer na pele vou saber do que ele tá falando e começou a se exaltar um pouco, percebi pelo jeito que ele tava a utilizar na argumentação dele. Mas permaneci na minha ideologia e respondi: se você souber receber uma crítica, mesmo que ela tenha sido pensada pra te sacanear, ela será construtiva, a crítica é exatamente a forma como você a escuta e utiliza. Segui a falar que não me importa o que as pessoas vão pensar do meu trabalho e sim o que eu penso do meu trabalho, se eu achar que o meu trabalho está bom então estarei feliz com isso, as pessoas gostando ou não. Daí que ele pareceu ficar mais puto ainda com o que eu dizia, mas a briga terminou por conta do terceiro (amigo) que deu o parecer dele e o pessoal que faltava e chegaram.
Diante isso percebi uma atitude mais positiva em relação as pessoas, de minha parte. Pois, talvez, antes eu dissesse que concordo, todo mundo é filho da mãe e que não tem nada que falar da gente e que são uns escrotos que não gostam da gente e que não sei porque falam da gente e sim que deveriam olhar pros seus próprios umbigos e continuaria séculos num pensamento destrutivo e negativo. Mas por que eu faria isso? Cada um tem liberdade pra pensar o que quiser, cabe a mim filtrar as informações exteriores e aceitar o que eu quero e o restante, simplesmente, devo respeitar e procurar entender/ compreender...Creio que valha mais a pena ter uma atitude assim do que querer negativizar tudo, como antes.
Fui pra aula reflexiva quanto a algumas coisas. Tive uma aula sobre Zé Celso, figura super incomum e inteligente demais, na minha visão. Anotei um monte de coisas, vi as peças com curiosidade e cheguei até a ligar o trabalho dele com alguns pensamentos meus. Inclusive uma citação dele acho interessante colocar pra vocês.
Numa entrevista feita ao Zé Celso ele diz "eu não faço Teatro. Eu faço TE-ATO."; ou seja, um ato a ti, um ato conjunto a ti, algo que passa por você e por mim e não algo pra você ver. Acho que é exatamente isso que procuro nos meus trabalhos e ideais de arte, algo que se ligue com as pessoas, que afete, interfira, transgrida* (termo utilizado referencial das aulas do Fred Tolipan).
Cheguei na aula do Fred então com a cabeça já a mil, eis que na aula dele, sempre uma loucura, um querendo falar por cima do outro, o Fred já fala rápido e tudo junto. Ele pára e dá um toque na gente a dizer que a turma está prestes a ruir, ir pro espaço, empludir (acho que é assim que escreve), mas que podemos reverter isso, que ele fala isso porque na turma um não tem respeito pelo outro, as pessoas não conseguem se ESCUTAR, um fala por cima do outro, já olha como "que saco", não quer saber o que o outro tem dúvida e não se importa com o que o outro pensa. Comecei a reparar e concordei total com o que ele disse. Depois mais um toque, dessa vez destinado a uma pessoa por algo que aconteceu e mais uma discussão.
Saí da aula e vindo pra casa com amigos da turma conversávamos, conversamos sobre isso, depois com um só, depois com o outro só também e por final peguei um texto que xeroquei da pasta do Fred quando fui xerocar o "Leitura Transversal", eu tinha visto esse e resolvi xerocar pra ler por interesse mesmo, o nome é "A Escuta", creio que retirado do livro "O Óbvio e o Obtuso" de Roland Barthes (editora Nova Fronteira). Na leitura do texto ele se refere a três tipos de escuta, podemos dizer que: índice, significativa e psicanalítica.
- Escuta de índice: quando um lobo escuta um ruído ele associa a uma presa, quando um alce escuta um ruído ele associa a um predador, quando uma criança (bebê) escuta um ruído ela associa a mãe (desejo); Logo temos a escuta de índice localizada em - presa, predador e desejo;
- Escuta significativa: quando você escuta um ruído e tenta decodificá-lo, ou seja, tenta dar um significado pra aquele ruído. Ex: um barulho na cozinha, vidro, um copo quebrou;
- Escuta psicanalítica: o inconsciente do psicanalista que se prepara pra escutar o inconsciente do paciente. Como numa conversa de telefone, um fala de um lado e o outro fala do outro, o telefone liga os dois. O inconsciente do psicanalista seria como a parte onde se coloca o ouvido, ele se liga com o inconsciente, através do que o paciente fala, e traz à tona as possibilidades de origem daquelas atitude, sensação e afins;
Li esse texto e fiquei fascinada a pensar sobre tudo isso, várias coisas com olofotes mega-fortes e piscando pra mim na minha cabeça. Comecei a pensar sobre tudo e principalmente sobre mim. Eu, normalmente, não falo muito, gosto de escutar e observar. Sempre fui fascinada por Libras (linguagem de surdo/mudo). Sempre gostei de fechar os olhos e fingir que não tenho mais como ver pra poder aguçar outros sentidos. Sempre penso sobre todos os sentidos em igual e essa relação com as pessoas. Me preocupo e me importo com isso. E vi que estou caminhando pra o que eu tanto queria no meu discurso da aula de composição do ator com o Alex..."me desconhecer para me conhecer"...
Agora deixo a questão para vocês: Todo mundo quer ser escutado, mas ninguém quer escutar. Por que? Por que não escutar o que os outros tem a dizer e respeitar algo que não seja só do que você vê e pensa? Por que não aceitar que não é o único umbigo do mundo? Por que não ser criticado e ter que ser o melhor em tudo e fazer tudo perfeito? Por que?
Maravilhoso mundo de Maya? Talvez, mas pelo menos eu tô a tentar melhorar e amadurecer. Tente você também, que tal?
Acredito que uma das maiores questões, hoje pelo menos, podemos denominar ESCUTA. Coisa tão trabalhosa de se acontecer, não acham? Todos querem ser ouvidos, mas quem quer escutar?
Essa questão me assalta e não é de hoje. Pelo contrário, já faz tempo que me questiono quanto a isso. Mas deixa-me explicar o que houve e porque isso voltou tão forte agora, exatamente hoje.
Fui a faculdade hoje e estava numa tentativa de ajudar uma amiga com a prova de história do teatro I, fiquei divagando sobre teatro grego, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e afins, normal. Depois fomos pro ensaio e lá a primeira coisa, um amigo começou a falar que vamos receber críticas (isso mesmo, futuro) e que muitas serão de sacanagem e não serão construtivas etc, eu retruquei de volta que TODA CRÍTICA É CONSTRUTIVA, SÓ DEPENDE DE COMO VOCÊ VAI RECEBÊ-LA. Acho que ele não gostou de ouvir isso, pois começou a falar que ele já viveu isso de espetáculo e eu não, então quando eu sofrer na pele vou saber do que ele tá falando e começou a se exaltar um pouco, percebi pelo jeito que ele tava a utilizar na argumentação dele. Mas permaneci na minha ideologia e respondi: se você souber receber uma crítica, mesmo que ela tenha sido pensada pra te sacanear, ela será construtiva, a crítica é exatamente a forma como você a escuta e utiliza. Segui a falar que não me importa o que as pessoas vão pensar do meu trabalho e sim o que eu penso do meu trabalho, se eu achar que o meu trabalho está bom então estarei feliz com isso, as pessoas gostando ou não. Daí que ele pareceu ficar mais puto ainda com o que eu dizia, mas a briga terminou por conta do terceiro (amigo) que deu o parecer dele e o pessoal que faltava e chegaram.
Diante isso percebi uma atitude mais positiva em relação as pessoas, de minha parte. Pois, talvez, antes eu dissesse que concordo, todo mundo é filho da mãe e que não tem nada que falar da gente e que são uns escrotos que não gostam da gente e que não sei porque falam da gente e sim que deveriam olhar pros seus próprios umbigos e continuaria séculos num pensamento destrutivo e negativo. Mas por que eu faria isso? Cada um tem liberdade pra pensar o que quiser, cabe a mim filtrar as informações exteriores e aceitar o que eu quero e o restante, simplesmente, devo respeitar e procurar entender/ compreender...Creio que valha mais a pena ter uma atitude assim do que querer negativizar tudo, como antes.
Fui pra aula reflexiva quanto a algumas coisas. Tive uma aula sobre Zé Celso, figura super incomum e inteligente demais, na minha visão. Anotei um monte de coisas, vi as peças com curiosidade e cheguei até a ligar o trabalho dele com alguns pensamentos meus. Inclusive uma citação dele acho interessante colocar pra vocês.
Numa entrevista feita ao Zé Celso ele diz "eu não faço Teatro. Eu faço TE-ATO."; ou seja, um ato a ti, um ato conjunto a ti, algo que passa por você e por mim e não algo pra você ver. Acho que é exatamente isso que procuro nos meus trabalhos e ideais de arte, algo que se ligue com as pessoas, que afete, interfira, transgrida* (termo utilizado referencial das aulas do Fred Tolipan).
Cheguei na aula do Fred então com a cabeça já a mil, eis que na aula dele, sempre uma loucura, um querendo falar por cima do outro, o Fred já fala rápido e tudo junto. Ele pára e dá um toque na gente a dizer que a turma está prestes a ruir, ir pro espaço, empludir (acho que é assim que escreve), mas que podemos reverter isso, que ele fala isso porque na turma um não tem respeito pelo outro, as pessoas não conseguem se ESCUTAR, um fala por cima do outro, já olha como "que saco", não quer saber o que o outro tem dúvida e não se importa com o que o outro pensa. Comecei a reparar e concordei total com o que ele disse. Depois mais um toque, dessa vez destinado a uma pessoa por algo que aconteceu e mais uma discussão.
Saí da aula e vindo pra casa com amigos da turma conversávamos, conversamos sobre isso, depois com um só, depois com o outro só também e por final peguei um texto que xeroquei da pasta do Fred quando fui xerocar o "Leitura Transversal", eu tinha visto esse e resolvi xerocar pra ler por interesse mesmo, o nome é "A Escuta", creio que retirado do livro "O Óbvio e o Obtuso" de Roland Barthes (editora Nova Fronteira). Na leitura do texto ele se refere a três tipos de escuta, podemos dizer que: índice, significativa e psicanalítica.
- Escuta de índice: quando um lobo escuta um ruído ele associa a uma presa, quando um alce escuta um ruído ele associa a um predador, quando uma criança (bebê) escuta um ruído ela associa a mãe (desejo); Logo temos a escuta de índice localizada em - presa, predador e desejo;
- Escuta significativa: quando você escuta um ruído e tenta decodificá-lo, ou seja, tenta dar um significado pra aquele ruído. Ex: um barulho na cozinha, vidro, um copo quebrou;
- Escuta psicanalítica: o inconsciente do psicanalista que se prepara pra escutar o inconsciente do paciente. Como numa conversa de telefone, um fala de um lado e o outro fala do outro, o telefone liga os dois. O inconsciente do psicanalista seria como a parte onde se coloca o ouvido, ele se liga com o inconsciente, através do que o paciente fala, e traz à tona as possibilidades de origem daquelas atitude, sensação e afins;
Li esse texto e fiquei fascinada a pensar sobre tudo isso, várias coisas com olofotes mega-fortes e piscando pra mim na minha cabeça. Comecei a pensar sobre tudo e principalmente sobre mim. Eu, normalmente, não falo muito, gosto de escutar e observar. Sempre fui fascinada por Libras (linguagem de surdo/mudo). Sempre gostei de fechar os olhos e fingir que não tenho mais como ver pra poder aguçar outros sentidos. Sempre penso sobre todos os sentidos em igual e essa relação com as pessoas. Me preocupo e me importo com isso. E vi que estou caminhando pra o que eu tanto queria no meu discurso da aula de composição do ator com o Alex..."me desconhecer para me conhecer"...
Agora deixo a questão para vocês: Todo mundo quer ser escutado, mas ninguém quer escutar. Por que? Por que não escutar o que os outros tem a dizer e respeitar algo que não seja só do que você vê e pensa? Por que não aceitar que não é o único umbigo do mundo? Por que não ser criticado e ter que ser o melhor em tudo e fazer tudo perfeito? Por que?
Maravilhoso mundo de Maya? Talvez, mas pelo menos eu tô a tentar melhorar e amadurecer. Tente você também, que tal?
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